8 de jul de 2009

Despertar Espiritual



Joanna de Ângelis


Cada indivíduo é a soma das experiências
multifárias no seu processo de evolução.

Etapa a etapa, adquire recursos que o preparam
para cometimentos mais amplos
e realizações mais expressivas.

Por isso mesmo não existem dois processos
de desencarnação iguais, já que
as existências humanas são diferentes.

Assim como a roupagem física é modelada
pelos conteúdos morais do ser espiritual,
e vai imantada molécula a molécula
ao Espírito reencarnado, o seu desprendimento
também ocorre através da ruptura dos laços
que o atam a essas estruturas celulares uma a uma.

Conforme os hábitos mentais cultivados,
o processus mortis obedece às fixações mantidas
em maior ou menor grau de intensidade.

Quando ocorre a parada cardíaca e, por extensão,
a morte do tronco cerebral, tecnicamente o corpo
se encontra sem vida, passando ao estado de cadaverização.

Não obstante, a desencarnação real,
a liberação dos vínculos, obedece a fatores
de natureza moral, relativos ao modo como cada
qual se houve durante a jornada ora concluída.

Os sensualistas, todos quantos da vida somente
coletaram benefícios e gozos, ou se permitiram
apegos injustificáveis, ou mantiveram sentimentos
perturbadores, encontrarão grande dificuldade
para se desimantarem dos despojos materiais.

Lutam com desesperação para revitalizar
o corpo inanimado, movimentá-lo, comunicar-se
por seu intermédio, experimentando inenarrável
angústia ante a impossibilidade de consegui-lo.

Porque desacostumados à reflexão e ao equilíbrio,
enfurecem-se, e, transtornados, mais aumentam
a própria alucinação, que prolongam por
largo período de sofrimento...

Pelo contrário, quem se acostumou à renúncia
e à generosidade, à meditação e aos exercícios
espirituais, facilmente se desencharca dos fluidos
mais grosseiros, liberando-se com rapidez
e adquirindo lucidez a respeito da ocorrência
fatal e inevitável.

Nas mortes violentas, porque inesperadas,
o choque, não raro, oblitera o raciocínio,
exigindo cuidados especiais dos Missionários do bem,
que não cessam de socorrer todos aqueles
que se encontram em estado de sofrimento
e de penúria.

Inversamente, nas enfermidades prolongadas,
carpidas com humildade e coragem, nas quais
as energias se vão consumindo, o desprendimento
faz-se sucedido pela alegria do imediato recobrar
da consciência e, com lucidez, reencontrar os seres
queridos que vêm receber e, saudar na aduana
da Vida em triunfo.

A contribuição dos afetos que permanecem
no corpo pode tornar-se relevante ou não,
assim como de alto significado.

Enquanto que o desespero dos familiares,
as blasfêmias e imprecações se transformam
em petardos mentais que aturdem o desencarnado,
os pensamentos de amor, de gratidão, chegam-lhe
como reconforto e ânimo, facilitando-lhe
a compreensãodo ocorrido e a alegria de
se sentir amado, predispondo-o ao crescimento
interior para prosseguir vinculado,
auxiliando-se mutuamente.

Ao rememorar-lhe os momentos felizes
e envolvê-lo nos tecidos suaves da saudade feita
de ternura, alcançam-lhe os painéis agradáveis
de lembranças enriquecedoras.

À medida que o corpo de transforma,
esse Espírito tranqüilo o bendiz,
facilmente adaptando-se ao Grande Lar.

Como medida terapêutica preventiva e eficaz
para um despertar saudável além da morte,
convém que se reservem momentos diários
para pensar-se nela e na libertação
dos resíduos orgânicos, ao tempo em que
os hábitos mentais e morais construam
uma existência digna, porquanto ser encerrada
biologicamente essa etapa, ela irradiará
as suas vibrações, que atarão o Espírito
aos seus despojos ou se transformarão em asas,
que o alçarão aos altiplanos felizes
onde habitará a partir de então.


Joanna de Ângelis/Divaldo P Franco
de Fonte de Luz

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