9 de jun de 2009

O Botão



Na extrema delicadeza
Da verdura perfumosa,
Destaca-se pequenino
O tenro botão de rosa.

Não há sinal de corola,
Vê-se apenas que começa
A surgir a flor divina
Num cálice de promessa.

E às vezes, nas alegrias
De doce festividade,
Espera-se pela rosa
No caminho da ansiedade.

Deseja-se a flor robusta
Com que se adorne a beleza,
Mas não há lei que perturbe
Os passos da Natureza.

É certo que toda rosa,
Como jóia de paisagem,
Nunca pode prescindir
Do zelo da jardinagem.

Precisa tempo, entretanto,
Na sombra e na claridade,
Requerendo orvalho e sol,
Noites, chuva, tempestade.

Por crescer, pede cuidado
Nos inícios da existência,
Mas, morrerá com certeza
A golpes de violência.

Assim, também, quase sempre,
A muita crença em botão
Tentamos impor, à força,
A nossa compreensão.

Toda crença é patrimônio
Que não surge improvisado;
É a rosa da experiência,
Em terras do aprendizado.

Se tua alma vive em festa,
Na fé que pratica o bem,
Ajuda, coopera e passa...
Não busques torcer ninguém.

Casimiro Cunha/Chico Xavier
do Livro Cartilha da Natureza

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