11 de jun de 2009

Imortalidade: triunfo do Espírito



Joanna de Ângelis

A imortalidade é de todos os tempos.
A ameba, por exemplo, sendo um dos organismos
unicelulares mais simples, pode ser considerada
como imortal, porquanto, à medida que envelhece,
graças ao fenômeno da mitose, dá lugar a duas outras,
ricas de vida, e assim, sucessivamente.
Jamais ocorre a morte do elemento inicial.

Assim sucede com a vida humana, do ponto de vista
do ser espiritual, que enseja a cada um
experienciar o que é sempre melhor para si mesmo.


O impositivo que se apresenta é o de viver o presente,
em razão de o passado apresentar-se já realizado,
enquanto o futuro se encontra ainda em construção.

Atingir o máximo das suas possibilidades
no momento que passa, constitui o desafio
que não pode ser ignorado.

Essa mecânica, porém, é produzida pelo amor,
que deve orientar a inteligência na aplicação
das suas conquistas.

Isso significa um esforço individual expressivo,
que se torna seletivo em benefício do
conjunto social.

À semelhança do que ocorre no organismo,
em que nenhuma célula trabalha unicamente em favor
de si mesma, porém do conjunto que deve sempre
funcionar em harmonia, vão surgindo os padrões
de comportamento que dão lugar às tendências universais
em torno da vida, que se processa de acordo
com o mecanismo da evolução.

Cada parte que constitui o órgão está sempre preparada
para transformar-se em favor de um elemento maior
e mais expressivo. É uma verdadeira cadeia progressiva,
infinita,até o momento em que se encerra o ciclo vital
e a matéria se desagrega em face do fenômeno
biológico da morte.

Todo esse processo tem lugar sob o controle
do Espírito que modela a organização de que se
serve através do seu invólucro semimaterial,
e quando se dá a desarticulação das moléculas,
eis que se libera e prossegue indestrutível
no rumo da plenitude, quando se depura de todas
as imperfeições resultantes do largo período da evolução.

Essa busca pode ser também denominada como
a da iluminação, cuja conquista elimina o medo
dos equívocos, da velhice, das doenças, da morte,
porquanto enseja a consciência da imortalidade,
dessa forma, do prosseguimento da vida
em todas as suas maravilhosas nuanças que se
apresentam em outras dimensões,
em outros campos vibratórios.

Essa iluminação propicia o despertar do sonho,
da ilusão em torno dos objetivos da existência,
tornando o ser consciente de tudo que pode
realizar por si mesmo e pela sociedade.

Por mais que postergue essa conscientização,
momento chega em que o Espírito sobrepõe-se
ao ego e rompe o limite do intelecto,
conquistando a visão coletiva sobre o infinito.

É quando se autoanalisa, voltando-se para dentro
e descobrindo os tesouros inabordáveis da
imortalidade, buscando no coração as forças
que lhe são necessárias para a entrega à
autoiluminação.

Como bem assinalou Jesus:
O Reino dos Céus está dentro de vós,
portanto, do Espírito que se é
e não do corpo pelo qual se manifesta.


Esse mecanismo é possível de ser ignorado,
quando a pessoa resolve-se pela remoção das trevas
que ocultam o conhecimento de si mesma,
deixando-a confusa, a fim de que se estabeleça a
pujança do amor franco e puro, gentil
e corajoso que não conhece limites...

A imortalidade é, pois, a grande meta a ser atingida.

Cessasse a vida, quando se interrompesse
o fenômeno biológico pela morte, e destituída de
significado seria a existência humana,
que surgiu em forma embrionária aproximadamente
há dois bilhões de anos...
Alcançando o clímax da inteligência,
da consciência e das emoções superiores,
se fosse diluída, retornando às energias primárias,
não teria qualquer sentido
ético-moral nem lógico ou racional.

Muitos, entre aqueles que assim pensam,
que a vida se extingue com a morte, certamente
rebelam-se contra os conceitos ultrapassados
de algumas doutrinas religiosas em torno da
Justiça Divina após a morte, com as execuções
penais de natureza eterna e insensata.

Considerada, porém, como o oceano gerador da vida,
a imortalidade precede ao estágio atual em
que se movimenta o ser humano e sucede-o,
num vir-a-ser progressista sempre melhor
e mais grandioso.

Existe o mundo imaterial, causal, de onde procede
o hálito da vida, que impregna a matéria orgânica
e a impulsiona na sua fatalidade biológica,
e aguarda o retorno desse princípio inteligente
cada vez mais lúcido e rico de complexidades
do conhecimento e do sentimento.

Desse modo, o sentido existencial é o de
aprimoramento pessoal com o conseqüente
enriquecimento defluente da sabedoria
que conduz à paz.

Ninguém se aniquila pela morte.

A melhor visão em torno da imortalidade
é contemplar-se um cadáver do qual afastou-se
o agente vitalizador, o Espírito que o acionava.

Não morrendo jamais a vida, todo o empenho
deve ser feito em seu favor, de modo que a cada
instante se adquiram melhores recursos
de iluminação, de compaixão, de beleza, de harmonia.

Desse modo, não morreram também aqueles
que a desencarnação silenciou, velando-os com a
paralisia dos órgãos a caminho da decomposição.

Eles prosseguem na caminhada ascensional
e mantêm os vínculos sentimentais com aqueloutros
que lhes eram afeiçoados ou não, deles recordando-se
e desejando intercambiar, a fim de afirmar que
continuam vivendo conforme eram.


Se fizeres silêncio íntimo ao recordar-te deles,
em sintonia com o pensamento de amor, eles
poderão comunicar-se contigo, trazer-te notícias
de como e de onde se encontram, consolando-te
e acalmando-te, ao tempo em que te prometem
o reencontro ditoso, mais tarde, quando também
soar o teu momento de retorno.

Ao invés da revolta inútil porque se foram,
pensa que a distância aparente é apenas
vibratória e conscientiza-te de que nada
aniquila o amor, essa sublime herança do Pai
Criador.

Utiliza-te das lembranças queridas
e envia-lhes mensagens de esperança e de ternura,
de gratidão e de afeto, de forma que retemperem
o ânimo e trabalhem pela própria iluminação,
vindo em teu auxílio, quando as circunstâncias
assim o permitirem...

Não os lamentes porque desencarnaram, nem os aflijas
com interrogações que ainda não te podem
responder.

Acalma a ansiedade e continua amando-os,
assim contribuindo para que permaneçam em paz
e cresçam na direção de Deus sendo felizes.


A morte é a desveladora da vida em outras expressões.


Jesus retornou da sepultura vazia para manter
o contato com os corações queridos, confirmando
a grandeza da imortalidade a que se referira antes,
demonstrando que o sentido existencial é
o da aquisição dos tesouros do amor e da amizade,
para a conquista da transcendência.


Ora pelos teus desencarnados, envolve-os em carinho
e vive com dignidade em homenagem a eles,
que te esperam além da cortina de cinza e sombra,
quando chegar o teu momento de libertação.


Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco
em 19 de maio de 2008,
Esch, Ducado de Luxemburgo

Nenhum comentário: