10 de abr de 2009

Na Cruz





-Emmanuel-

"Ele salvou a muitos e a si mesmo não pôde salvar-se."
-(MATEUS, 27:42)



Sim, ele redimira a muitos...

Estendera o amor e a verdade, a paz e a luz,
levantara enfermos e ressuscitara mortos.

Entretanto, para ele mesmo erguia-se a cruz entre ladrões.

Em verdade, para quem se exaltara tanto,
para quem atingira o pináculo, sugerindo indiretamente
a própria condição de Redentor e Rei, a queda era enorme...

Era o Príncipe da Paz e achava-se vencido
pela guerra dos interesses inferiores.

Era o Salvador e não se salvava.

Era o Justo e padecia a suprema injustiça.

Jazia o Senhor flagelado e vencido.

Para o consenso humano era a extrema perda.

Caíra, todavia, na cruz.

Sangrando, mas de pé.

Supliciado, mas de braços abertos.

Relegado ao sofrimento, mas suspenso da Terra.

Rodeado de ódio e sarcasmo, mas de coração içado ao Amor.

Tombara, vilipendiado e esquecido, mas, no outro dia,
transformava a própria dor em glória divina.
Pendera-lhe a fronte, em pastada de sangue,
no madeiro, e ressurgia, à luz do sol, ao hálito de um jardim.

Convertia-se a derrota escura em vitória resplandecente.
Cobria-se o lenho afrontoso de claridades celestiais
para a Terra inteira.

Assim também ocorre no círculo de nossas vidas.

Não tropeces no fácil triunfo
ou na auréola barata dos crucificadores.

Toda vez que as circunstâncias te compelirem
a modificar o roteiro da própria vida,
prefere o sacrifício de ti mesmo,
transformando a tua dor em auxílio para muitos,
porque todos aqueles que recebem a cruz,
em favor dos semelhantes,
descobrem o trilho da eterna ressurreição.


Emmanuel/Chico Xavier
do Livro Fonte Viva

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