19 de out de 2009

Fala Amparando



Quando estiveres a ponto de condenar alguém,
lembra-te de ti mesmo.

Quantas vezes terás ferido,
quando te propunhas a auxiliar?

Muitos daqueles que povoam as penitenciarias,
dariam a própria vida para que o tempo recuasse,
propiciando-lhes ensejo de se fazerem vítimas
ao invés de verdugos...

Prefeririam cegueira e mudez no instante
de vazarem a acusação ou extrema paralisia
na hora da violência.

E qual acontece aos irmãos segregados no cárcere,
quantas criaturas carregam enfermidade
e frustração nas grades mentais
do arrependimento tardio?

Trajam-se em figurino recente e conservam
a bolsa farta, mas, por dentro trazem desencanto
e remorso por fogo e cinza no coração.

Supõem-se livres, no entanto, jazem presas,
intimamente, na cela de angústia em que enjaularam
a própria alma, por não haverem calado
a frase cruel no momento oportuno...

Poderiam ter evitado o desastre moral
que lhes dói na lembrança, contudo,
por se acomodarem à impaciência,
atearam o incêndio que resultou
em loucura e destruição.

Não sirvas vinagre e fel à mesa da própria vida.

Onde surpreendas perturbação e sombra
estende o socorro da paz e o benefício da luz.

Compadece-te dos ingratos e desertores,
quanto te condóis dos que passam
sob teus olhos, mutilados e infelizes.

Ninguém praticaria o mal se, antes,
lhe conhecesse o fruto amargoso.

Compreendamos para que sejamos compreendidos.

Agora, talvez, poderás censurar os erros dos semelhantes.

Amanhã, porém, mendigarás o perdão dos outros
pelos teus desatinos.

Entrega a aflição de cada dia ao silêncio de cada noite.

Lembra-te de que, por maiores tenham sido
os desregramentos da Humanidade na Terra,
o Céu nunca fez coleções de nuvens
para amaldiçoar ou punir, mas sim, cada manhã,
acende o brilho solar por mensagem bendita
de tolerância e de amor, endereçando aos homens
a esperança infatigável de Deus.

Meimei/Chico Xavier
do Livro Irmãos Unidos

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